#Entrevista | Fábio Bito Teles fala sobre Comunicação Política nas Mídias Sociais

18 jan 2012

Este ano, 2012, teremos eleições municipais. É uma frase curta, mas que diz muito do que veremos na internet e, principalmente, nas mídias sociais, durante todo o segundo semestre deste ano. Esta será a segunda vez que o marketing político utilizará de forma massiva os sites de mídias sociais para angariar votos aos seus candidatos. Veremos perfis de candidatos em vários sites respondendo a dúvidas de eleitores nos quatro cantos do país. Muitas vezes uma equipe estará por trás do perfil, em outras o próprio candidato.

Não adianta fugir. Todos seremos impactados. Veremos dezenas de novos “Obamas”, veremos cartazes copiando o que ele fez em sua última eleição, copiando as decisões tomadas pelo seu marketing político, pelo próprio candidato até. Copiarão Dilma, Lula, Serra e cia. Particularmente, quero ver novidades. E é isso que o Bito vai mostrar em seu curso. E mais! Como fazer para lidar com todo este conteúdo? Como planejar e executar uma campanha online? Quais são os aspectos da democracia 2.0? Estas são algumas das perguntas que Bito Teles irá responder no seu curso Comunicação Política nas Mídias Sociais, em Salvador, Recife e Belo Horizonte.

Para apresentar alguns dos conceitos de sua abordagem, convidamos Bito, que é estrategista e coordenador de mídias sociais, com passagens por agências e portais de internet como iG, UOL, Limão, Estadão e outros, para responder a algumas perguntas. Confira na entrevista a seguir.

Trespontos (T) – Comunicação na Rede, pressupõe, entre outras coisas, velocidade, transparência e conteúdo. As instituições públicas no Brasil estão preparadas para isso?

Bito Teles (BT) - É difícil generalizar, mas neste caso acredito que são poucas as instituições públicas no Brasil preparadas. E quanto maior, pior a situação. Apesar de alguns esforços pontuais, como no Governo de São Paulo, por exemplo, ainda esbarra-se no excesso de burocracia, irregularidades que não podem ser expostas, e falta de unidade de propostas e discurso. Muitas instituições governamentais nem permitem o acesso dos seus funcionários às mídias sociais, o que já diz muito sobre elas neste sentido.

T – O que tem sido feito de mais relevante em termos de comunicação política, por instituições governamentais no Brasil?

BT - Ainda falta um case, um grande exemplo de uso das mídias sociais por uma instituição governamental. O Ministério da Saúde tem iniciativas interessantes, como a campanha contra o tabagismo e H1N1 no Youtube e suas ações no Twitter. Acho muito boa a atuação da Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro no Twitter também. Recentemente liderei um trabalho interessante para a Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura, usando comunidades online para difundir um edital de premiação para projetos culturais em todos os Estados do Brasil. Tivemos resultados expressivos para a Fundação, mas estas ainda são gotas no oceano. O grande marco ainda está por vir.

T – O que você espera para as eleições “online” este ano. Quais são as principais preocupações que políticos e partidos devem ter para fazer algo realmente consistente nas suas campanhas na Rede?

BT - Espero que finalmente tenhamos a Rede com conteúdo bem planejado, com propostas concretas de interação e diálogo. Sabe-se fazer relativamente bem a casca das campanhas nas redes sociais, tudo o que é superficial, e até houve uma grande evolução no monitoramento de conversações. Mas a grande preocupação dos partidos e políticos deve ser em como ser autêntico, freqüente, parecer verdadeiro e ter seu conteúdo bem distribuído na Rede. E a dica é: já deveriam ter começado.

T – Existe o outro lado da moeda. O nosso internauta eleitor também está preparado para a campanha na Rede. O que poderia destacar sobre o perfil do eleitor brasileiro na Rede?

BT - Não diria que o internauta eleitor está preparado para a campanha na Rede. Somos mais de 45 milhões de brasileiros acessando a internet, segundo estudo do Ibope Nielsen Online. Boa parte destes eleitores estão na Rede para interação com conhecidos, para consumir conteúdo sob demanda, e cerca de 60% utiliza exclusivamente para pesquisar sobre um assunto, de acordo com pesquisa da ECmetrics. E a maioria ainda tem a TV como principal fonte de informação.

Este cenário termina trazendo para o ambiente online grande parte das discussões das mídias tradicionais. Há também perfis diferentes de internauta eleitor, como os militantes fervorosos, os intelectuais de ocasião, além dos indigestos perfis fake criados pela guerrilha de campanha. No meio disso, há o cidadão indeciso e o indiferente, que é quem deve ser fisgado e convidado para o diálogo pela Campanha. E a meta não será só conseguir seu voto, mas sobretudo, seu apoio.

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Para saber mais sobre o curso Comunicação Política nas Mídias Sociais e também realizar a sua inscrição, clique sobre o nome da sua cidade abaixo ou na versão Webinar do curso.

Salvador – 14 e 15/04

Recife – 28 e 29/04

Belo Horizonte – 12 e 13/05

Webinar – 14 e 15/04

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